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   Foto: 'Orquídea da Amazônia', por Sandra Bertotti, natural de Porto
   Alegre. Ela é artista plástica, fotógrafa, bióloga, pesquisadora da fauna,
   flora e povos indígenas da Amazônia, há mais de dez anos. Essa foto
   vem simbolizar o grande amor de Cora Coralina pela natureza, pelas
   flores e frutos da Terra.







Cora Coralina
Uma  brasileira de sabedoria e ternura pela natureza
e pelos sentimentos humanos.

Nossa homenagem coletiva ao nome e memória de
Cora Coralina, escolhida para ser Patrona da Academia Cultural de Mulheres Brasileiras.

"Que eu possa dignificar/ Minha condição de mulher, /Aceitar suas limitações/ E me fazer Pedra de segurança/ dos valores que vão desmoronando",
(poema Assim eu vejo a Vida), Cora Coralina, que aos 76 anos publicou seu primeiro livro, em 1965.

A Academia Cultural de Mulheres "Cora Coralina", é o espaço de escritoras, poetisas, jornalistas e artistas convidadas que estarão, ao longo do tempo, expressando suas opiniões, comentários, poéticas, sua visão de mundo, seus projetos de vida e seus
universos interiores.

Sejam todas bem-vindas, a esse espaço que pretende reunir as inteligências múltiplas de mulheres brasileiras e de outros países. Prende-se que a cada ano haja a publicação de livros com todos os textos aqui publicados. O Grupo Artforum Brasil XXI - 11 anos,
está desenvolvendo esta proposta, a partir de março de 2007, sob a coordenação de Ana Félix Garjan, idealizadora da 'Academia Cultural Cora Coralina'. Pretende-se em
breve organizar A ANTOLOGIA DO PENSAMENTO FEMININO NA PRIMEIRA DÉCADA
DO SÉCULO XXI.



































Veja neste site a p. "Mulheres de Março" - uma síntese do projeto de pesquisa sobre
a Mulher ao longo da história, dados importantes, homenagens e nomes de destaque
no contexto da cultura, artes e sociedade contemporânea, na apresentação de Ana Felix Garjan que é a titular da Pesquisa "Mulheres e seu Universo".

http://www.artforumunifuturobrasil.org/128401/index.html















Artforum Brasil XXI
11 anos de arte,
cultura, ecologia,
filosofias, ciências,
pesquisa e projetos
pela Paz e por um
Novo Mundo Melhor.


Academia Cultural de Mulheres "Cora Coralina", é o Espaço do Universo Feminino.
A ACADEMIA CULTURAL DE MULHERES FOI INAUGURADA EM MARÇO DE 2007.

  
Fórum Cultural de Mulheres - Pró "Sociedade de Mulheres do Futuro"
A mulher é memória sempre viva do mundo, é maestrina da humanidade, é semelhante
às árvores-mães. Todas são responsáveis pelo presente e futuro da história do mundo.

Os Grupos Artforum Unifuturo Brasil XXI -11 anos apresentam a partir de hoje, dia 27
de março de 2007 - século XXI, a Academia de Mulheres Brasileiras "Cora Coralina",
para abrirmos juntas, portas, janelas, mirantes e sacadas ao universo feminino.

As convidadas especias do Artforum Brasil farão parte do Fórum do Ser Humano
e do Planeta XXI, neste projeto-site, que orgulosamente compartilha este espaço,
com inteligências, conhecimento e emoções femininas, em homenagem à escritora Cora Coralina, nome eleito através de sondagens de opinião entre grupos e pessoas, para batizar na internet, a Primeira Academia Culural de Mulheres Brasileiras, para
iniciarmos um importante movimento a favor de uma maior e melhor arte de viver, ser
responsável e contribuir com o humano do planeta terra.


ABERTURA DA ACADEMIA ATRAVÉS DE TEXTOS DE MULHERES CONVIDADAS


          ABERTURA DA ACADEMIA E HOMENAGEM À CORA CORALINA



PARA CORA


E cá estou eu escrevendo para um lugar chamado Academia Cultural de Mulheres Cora
Coralina. Fico olhando para a tela em branco, pensando: “Será que eu tenho mesmo
alguma coisa a dizer?” Não sei se eu teria algo a acrescentar numa academia que já
tem o nome dessa mulher que fez poesia até com o próprio nome – que passou de um
átono Ana para esse eco cheio de música: cora-cora-lina-lina-lina-lina... Essa mulher
que nasceu em um tempo em que a criança tinha que crescer para aparecer, que teve
que fugir com o seu amor divorciado, fez com ele seis filhos, e esperou até os 75 anos
para publicar seu primeiro livro. Essa mulher que sabia fazer doce. Que sabia que a vida
só tem sentido se a gente toca o coração dos outros. E eu aqui, agora, com essa
missão de tocar o coração de quem me lê, para não desperdiçar a minha vida. Nem os
seus preciosos minutos. Será que dou conta?


E cá estou eu escrevendo para uma coisa chamada site, que voa nessa entidade
cósmico-mágica chamada ciberespaço. Tenho quarenta anos. Se, quando eu tivesse
dez, alguém me contasse que hoje eu estaria sentada na frente desse teclado, que nem
faz barulho nem precisa de papel, eu dava uma risada. Ou saía de fininho, com medo
que fosse doido. Quando eu tinha dez anos, a televisão lá de casa nem era colorida.
Está certo, não era falta de tecnologia: a TV colorida chegou ao Brasil com a Copa de
1970, eu ainda tinha quatro anos. O papai é que era meio pão-duro, não ia se desfazer
de uma televisão em preto-e-branco boazinha da silva só para a gente saber que a roupa
do Robin era amarela e vermelha. Ou verde? Bom, não é esse o ponto.


O ponto é que cá estou eu lançando mão de uma das muitas e importantes conquistas
das telecomunicações que tornaram esse nosso mundo pequeno, à mão da gente,
acessível. Certo, concordo: “Acessível para quem, cara pálida?”. Quantos por cento
desses seis bilhões de pessoas que habitam o planeta têm acesso a essa maravilha
tecnológica chamada Internet, a essa utopia hippie do “tudo é de todos, nada é de
ninguém”, que virou panacéia eletrônica? Tudo bem, o ponto ainda não é esse.


O ponto mesmo é que, quanto mais a gente teclou, passou MSN, usou Skype nesse
final de milênio, menos a gente se entendeu. Na era da comunicação, ainda há povos
que lutam pelas mesmas razões que lutavam na Idade Média. Será que essa facilidade
que estou tendo agora, de invadir a sua máquina com as minhas palavras, de jogar em
cima de você as minhas idéias, ou a falta delas, essa moleza de ser uma falante
onipotente sem um ouvinte corpóreo e audível – será que esse fenômeno, esse monólogo cibernético ajudou o homem a se entender menos?


Ah, sim. Agora entendo a minha fobia da tela em branco. E encontro mais uma vez o
“colo que acolhe” de Cora Coralina, aquela que acreditava que uma das formas de tocar
o coração dos outros é oferecer o “silêncio que respeita”. É. Vai ver, foi por essa
feminilidade tão plena que o nome dela foi escolhido para essa academia. Vai ver, é por
isso que estou me sentindo tão estranha agora: talvez porque eu devesse lançar mão de
todo esse suporte tecnológico mais para ouvir do que para falar. Ainda bem que estou
dentro de um fórum. Ainda bem que não faltarão falantes – que, se eu der sorte, serão
bem diferentes de mim. E, se eu der mais sorte ainda, serão mesmo o meu oposto –
para que eu ponha minhas idéias à prova. Melhor: para que eu jogue algumas delas fora,
e desenvolva outras. Para que eu deixe os outros tocarem o meu coração, enfim.


Então, proponho um jogo: ouvir. De verdade. Querendo ouvir. Para entender o outro,
suas razões, suas motivações, e não apenas para se “informar”. Informação não é nada
se não for transformada em conhecimento. Megabites não passam de linguagem
binária, zerinhos-e-uns, se não virar em sabedoria. De que me adianta ler quatro jornais
por dia, assistir outros tantos telejornais, e saber que em Bombaim duas mil pessoas
morreram em um acidente de trem anteontem, se eu não for capaz de oferecer meus
ouvidos à minha vizinha octogenária e solitária cujo gato morreu essa madrugada?


Em outras palavras, muito cora-coralinamente, é isso que proponho: tocar o coração do
outro. Mas, para isso, vai ser preciso olhar para o outro. E, quem sabe, de um em um,
a gente não consegue tornar esse mundo mais humano, e transcender os megabites?
Devemos isso nós mesmos. E a quem vem depois de nós.



Rio de Janeiro, 26 de março de 2007

Cristiane Dantas

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Roteirista da Rede Globo, atualmente no programa “Sítio do Picapau Amarelo”. Autora da novela Madalena, premiada pelo Ministério da Educação em 2006, e do livro infanto-juvenil Vic, lançado pelas Edições SM esse ano. 
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Toques do coração, da alma e da arte de viver.

 
"Tenhas sempre presente que a pele enruga, o cabelo embranquece, a energia
diminui, os dias convertem-se em anos...

Mas o que é importante não muda: A tua força e convicção não têm idade. O teu
espírito é como qualquer teia de aranha. Atrás de cada linha de chegada, há uma de
partida. Atrás de cada conquista, vem um novo desafio. Enquanto estiveres viva, sente-
te viva.

Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo. Não vivas de fotografias muito
amarelecidas... Continua, quando todos esperam que desistas. Não deixes que
enferruje o ferro que existe em ti. Faz com que tuas atitudes sejam dignas.

Quando não conseguires mais correr através dos anos, trota. Quando não conseguires
mais trotar, caminha. Quando não conseguires mais caminhar, usa uma bengala. Mas
nunca te detenhas! 

Madre Teresa de Calcutá

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MULHER, UM MISTÉRIO DA CRIAÇÃO

 
Sem dúvida as mulheres se constituem um ser especial da criação, revestido de
grandes mistérios. Mistérios decorrentes de sua própria complexidade, complexidade
necessária ao desenvolvimento de sua missão. Pensar na mulher é imaginar, na maioria
das vezes, o belo, o agradável, o trato suave, a ternura e o espírito de luta. Entretanto,
ela vai muito mais adiante e vem daí a surpresa que cada uma delas nos traz, na forma
de agir ou reagir aos acontecimentos ou circunstâncias que formam sua história.


Honra, dignidade, alma espelhada e límpida, doação e criação, são algumas de suas
características que, com toda certeza, jamais seriam desfeitas ao longo das gerações,
se houvesse no mundo o respeito e o posicionamento adequado à sua condição, razão
para a qual foi criada. O livro de Provérbios, da Bíblia Sagrada, em seu capítulo 31,
afirma pela palavra do maior sábio de todos os tempos, o Rei Salomão, que o valor da
mulher excede o das finas jóias e  descreve, a partir daí, um rosário de qualidades que
dignificam não a si mesma – pois essa dignidade já lhe é implícita – mas ao homem, ao
esposo, a todos da casa, sendo chamada ditosa por seus filhos. Ainda segundo
Salomão, a graça e a formosura são suas qualidades menores, uma vez que o louvor
público é o maior reconhecimento de tudo o que ela é.


De onde lhe vem esse louvor? A verdade é que se sabe pouquíssimo sobre a mulher, à
exceção de suas próprias companheiras que reconhecem de pronto o Poder que emana
de sua ação e de suas decisões. Indomável diante do que crê e ama (porque na mulher
a fé e o amor se confundem), possui segredos e mistérios extraordinários quando
desafiada a jamais fraquejar. Guerreira se torna sem nunca ter ido à guerra, guerreira é
na proteção ao amado, ao lar, aos filhos, aos amigos, enfim, àqueles que elegeu ou que
a vida lhe trouxe para que sejam guardados de forma especial, com zelo e força, com
olhos de águia e com o calor de suas asas.


Característica maior se identifica no funcionamento bilateral do seu cérebro que, se a
ciência ainda não comprovou, o fato social inquestionável está aí, pronto para ser
estudado e constatado. Com uma capacidade incrível de decidir e realizar coisas
diversificadas no mesmo espaço de tempo, ela transcende tudo o que se conhece
quanto à capacidade, obviamente não cartesiana, de gerar equilíbrio nas manifestações
várias do desafio de viver e doar vida plena.


Note-se que não estamos falando de um ser imaginário, cantado em verso e prosa, ou
de um dos heróis lendários da literatura clássica. No conjunto dessa grandeza toda,
ela é a criança faceira que se olha e admira, analisa tons para sua tez, não dispensa o
jeans jogado e moderno, o batom que realça o seu brilho, os cabelos soltos que o vento
embala, os saltinhos combinando com tudo que forma o seu conjunto, conquistando
todos os “oh!!! “ que lhe são garantidos.


E por falar em saltinhos, quem disse que ela desce dos saltos ao ser enfrentada numa
disputa no trânsito, por exemplo. Com o nariz pra cima, negocia com o seu possível
adversário, o seu direito que sabe como ninguém  defender. É a voz da liberdade que
aprendeu a ensinar a todas as gerações e que defende com unhas e dentes, ambos
polidos e bem tratados. E se este confronto se dá na humilde casa, na luta da
sobrevivência, na mulher do povo, as mesmas características se revelam, porque a
mulher é a defensora número 1 de tudo o que aprendeu a cuidar como seu. E “não
descer nunca do salto” é a expressão popular mais significativa para dizer que ela
nunca desiste e que nada lhe passa despercebido.


Mais e mais características poderiam ser abordadas e entre elas, a solidariedade à dor
humana. Seria por que ela se sente responsável por toda a criação que por meio dela se
fez? Ou será que o Senhor todo poderoso, o verdadeiro Criador, ao lhe conferir 50% da
sociedade nesta missão, lhe revelou também informações sigilosas que ela gravou para
sempre no hardware do seu coração? O certo é que neste sentimento de solidariedade,
existem demasiadas coisas sendo tratadas, de uma forma sobrenatural, todas cheias
de uma imensa energia: o consolo, a presença, o abraço, a bênção e até a lágrima.
Esta pequena gota de orvalho feminino, aquecida no fogo desse sobrenatural, por sua
própria natureza derrete corações e levanta o sonho de viver, até no mais triste e
solitário homem. Fracassos, sofrimentos, decepções, angústias e ansiedade são
neutralizados neste processo de se sentir parte de todo ser criado. Animais e plantas,
também são alcançados pelo seu carinho e amoroso trato.


No aspecto espiritual, a história da humanidade a descreve de uma forma especial:
capaz de arrepender-se, de pedir perdão, de mudar de vida, de perseverar, de ser fiel, de
arriscar-se por uma cruz de um Homem que outros homens eram incapazes de seguir.
E por isso foi chamada Santa, em todos os evangelhos, boas novas do Reino finalmente
chegado. E ainda hoje assim o é: baluarte na busca de suas verdadeiras origens e
destinos, realizada por homens e mulheres, nas igrejas ou fora delas.


No silêncio da noite, no interior de si mesma, o descanso ainda fica para depois:  
precisa continuar servindo, em ações ou em orações. Há alguém que vem ao seu
pensamento, há um trabalho solicitado por um amigo, há um filho a esperar... Não
importa... Ela continua porque faz parte dela descobrir em si todas as respostas, porque
todos os seres que vivem ao seu redor, estão chamando por ela. E o repouso fica para
mais tarde.


Finalmente, já na madrugada,o grande silêncio diante Dele, aquele que a criou para que
criasse a muitos. Que tem ela a dizer diante Dele? Que oração pode sair dos seus
lábios cansados? Nada mais a não ser Lhe entregar a própria vida e, como sacerdotisa
do templo que é o seu próprio corpo, ainda conseguir Lhe pedir: Pai, usa as mulheres
para que o mundo seja alcançado!


 
Brasília, 29 de março de 2007

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Maria Laura Ribeiro da Costa Soares
Socióloga - Assessora do Governo Federal 
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PORQUE É PRECISO MUDAR

 

        No início de todas as coisas, eu detestava a idéia de conviver com as pessoas;
dentro de mim percebia que nada valia a pena e que, após duas ou três tentativas
fracassadas, todas as coisas eram inúteis demais para se lutar por elas. Enfim, o ser
humano era para mim não mais que isso: um ser incapaz de conviver, de se relacionar,
a não ser com a estreiteza de pequenas idéias. Ora, isso para mim era quase
insuportável, uma vez que buscava a essência grandiosa de todas as coisas, inclusive
na pequenez do próprio homem. Que diabos porém havia nele, homem, que cada vez
mais parecia encurtar-se diante de si mesmo, tornando-se menor do que todas as
coisas que eu já admirara? Cioso de nada, para mim, o homem jactava-se de razões
que, para terem significado, só mesmo confirmando suas inverdades, o que me deixava
muito pouco à vontade. Eu via no meu pequeno mundo a idéia do caos antes da criação
e sabia que em nada poderia fazê-lo novo, pois, parecia-me que a própria criação
nascera também desordenada. Mas, eu teria que viver assim mesmo? Na mesmice das
programações dos softwares, dos tipos de conversas acalentadas por ciências
cartesiasnas, dos deveres interrompidos em pleno êxtase, do inexplorado por falta de
conhecimento, e do cansado descanso noturno aonde todas essas coisas me vinham à
mente buscando uma explicação?  Absorta nos meus pensamentos procurava escutar o
silêncio e o silencioso, na esperança de que me falassem algo novo para um
aprendizado que, nem ainda se iniciara, e já se manifestava imperfeito e inacabado. De
repente, paro e me recordo que tenho que colher algumas uvas na parreira, para
preparar um bom vinho regenerador, aquele no qual eu concentrava 20 grandes cachos
de uva para uma garrafa, sem agrotóxico e sem água; somente a mais pura e
energética fruta do planeta!!!!  A parreira, como me parecia importante... e os cachos de
uva, como me pareciam belos! De repente: as uvas!!! Eureka!!! Elas não se relacionam!


São indivíduos num mesmo cacho, como os homens em suas famílias? Pequenos
cosmos? Microcosmos inteiros, numa pequena frutinha isolada no mundo, embora filhas
da mesma parreira? Colhi um cacho e olhei com atenção: mal se tocavam...pequenas e
sós...até certo ponto exuberantes em sua beleza! Mas, de que me serviria a sua beleza
sem o seu sabor, sem o que tinha por dentro? Abri-a e então um emaranhado de
substâncias e sementes, faziam um único conjunto, coeso, intenso, delicioso! Não
mais havia o só, nem o isolamento, nem a vaidade da aparência: uma essência
desabrochava em meu ser – o encontro da unidade. Tão pequeno, tão perfeito, o visível
encontro da raiz/semente com a substância gerada. Eu estava a um passo de uma nova
acertiva: “o isolamento aparente está cheio de unidade na raiz das coisas e no seu
substrato”. A humanidade seria, pois, profundamente interligada em suas bases
essenciais e não se perderia no conjunto das formas unas com difusão no conjunto,
porque a base deste conjunto seria essencialmente interligada. E me propus a refletir
sobre isso: a forma é difusa, mas, a essência é uma só... na essência estão as
sementes e a polpa - o conteúdo realmente importante -  aquilo que buscamos na uva.
Não importam mais a parreira e os cachos: as uvas são ligadas em sua essência o que
as torna um ser complexo mas coeso....Seria isso mesmo?  As parreiras, as uvas, o
conteúdo, os homens, a família, os indivíduos, o conjunto da essência do ser... Eu
preciso ir mais fundo e encontrar a resposta não newtoniana e sim o quântico, o que me
permite medir até onde os relacionamentos acontecem e onde se perdem por nova
essência ou porque já não têm mesmo significado.


As minhas uvas continuavam consumindo toda a minha capacidade de investigar a
relação existente entre o humano, a criação e as características do que estaria inserido
no projeto humano, além do que teria se constituído basicamente o seu desvio. E elas
me geravam um contraditório amargo no mesmo momento em que percebia o seu sabor
e a existência de cada coisa nova, desafio para o conhecimento e também
transparência  de frustrações.

 
Desta feita, foram as sementes que me geraram o contraditório: eu as havia percebido
uma totalidade com a própria polpa da fruta, esperança assim de que houvesse surgido
um fundamento para a unidade que eu tanto buscava. Mas, que vejo: as sementes da
uva se isolam entre si e me faz retornar à análise de ser todo ser uma ilha. Cada
sementinha separada da outra, cada qual na especificidade do seu local, parecia um
grito na busca do similar, tão milimetricamente distante, tão infinitamente longe. A
própria essência – a polpa – as encapsulava e isolava.


Porém eu continuava acreditando no grito pelo encontro com as origens para que o fim
pudesse ser visualizado, independentemente da forma. Como chegar a isso sem cair no
probabilístico cartesiano que já rejeitáramos do início, em nossa proposta de estudo.
Como buscar na observação, ou na física que explica outros contextos, a razão
comportamental de isolamento entre os seres, tanto do ponto de vista natural quanto do
ponto de vista provocado?. Para chegar a essa verificação, dei um salto para situações
já constatadas na ciência mais inquiridora do ponto de vista político, social, espiritual ou
mesmo físico e encontrei a questão da  transcendência do ser.


A Transcendência, ou a capacidade máxima do homem, ao chegar ao seu máximo
limite: transformar-se num novo ser. Buscar os referenciais de origem (unidade e
divisão) e optar por um novo estágio que não seja nem uma coisa nem outra, mas, uma
conquista, uma opção nova, um alcance de um patamar inimaginável pela mente, mas
perceptivo por algo superior em si mesmo e em seu redor. Algo superior que o chama
para o desconhecido já existente dentro de si e que se espelha em tudo lá fora, tudo
que não seja o óbvio, tudo que para ser visto e ouvido precise de um debruçar-se sobre
si mesmo e sobre o futuro.

 

Brasília, 30 de março de 2007

Maria Laura Ribeiro da Costa Soares
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Socióloga - Assessora do Governo Federal 
Consultora da Universidade Aberta do Futuro "Telhados do Mundo"
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                                      O melhor presente?

                                                                 

         Se faz sentido dizer que as fases da lua influenciam 

   as fases humanas, também poder-se-ía dizer que,

para além da abrangência do nosso satélite,

as pessoas parecem trazer consigo

infinitas peculiaridades que tanto

podem ser atenuadas quanto

 aprimoradas,  tudo dependerá

  da complexa interação indivíduo-habitat:

     natural, econômico, sócio-emocional e

        suas inexplicáveis exceções.

           Portanto, todos queremos... todos sentimos...

            Haja provisão para todos em todos os sentidos!

                Muitos querem contar um épico enredo, traçar uma história excelsa,   
                  fenomenal. 

                     Também há os que se contentam com o lírico desapego

        e sua história consta tão-somente dos anais do cosmo, do espaço sideral.
                                                       
        O fato é que todos ansiamos por melhores dias, sob qualquer fase lunar.


Não sei bem discorrer sobre o anseio distorcido dos que já foram inocentes bebês
e que na escalada existencial - diante das inexatas adversidades – se transformaram
em seres inumanos, Será que o pivete-trombadinha-traficante-assaltante-latrocida-
terrorista sonha licitamente?! Ou seu maior sonho é “adquirir” sempre uma arma mais
potente?!  Coitado! E o que dizer desse sistema universal, incluindo o lobista e o
peculador, e da inexorável desproteção da humanidade?! Coitada!

Mas apesar de todos os contras, seguimos tentando litteratim contribuir para que as pequenas e boas ações integrem um todo cada vez maior, até que possamosdesfrutar de todos os presentes que a vida possa nos oferecer.

E por falar em dádiva, além dos bem-vindos cartões natalinos dos familiares e amigos
queridos, recebi (ontem – 30/12) uma confortante alegria nesse finalzinho de laborioso
2007, uma caixinha de conteúdo tão magistralmente grandioso que fiquei em estado de
graça, a cada item uma mostra de tão significativa sensibilidade, acima de tudo pela atenção dada ao Teor do envelope cor laranja (A Foto da Arte em Pessoa, emoção pura
e certa), e todas as dedicatórias contidas tanto no mimo-cartão de natal, quanto nos
dois livros, cujas capas já remetem a conteúdos interessantes, enfim, tudo no
compasso do relógio portátil verde-prata, que no seu tique-taque nos propicia a
contagem de progressiva esperança de que o iminente novo ano seja próspero e repleto
de harmonia e paz. (agradeço-lhe o amável gesto, querida amiga Ana Maria).

O melhor presente é aquele que nos possibilita nos fazermos presentes, porque afins,
amorosos e solidários, interessados naquilo que é importante às pessoas que dizemos
considerar. O melhor presente não se traduz no valor monetário nem rima com a dor.

Um brinde com votos de um solidário 2008 a todos!

                                                                                               
Brasília-DF, 31/12/2007


Gladys Salazar Morais
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Assessora na Câmara dos Deputados em Brasília-DF.
Consultora Cultural do Artforum Brasil XXI  - (Seu mundo é a música)
Colaboradora da Universidade Aberta do Futuro "Telhados do Mundo"

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   Pintura: 'Um anjo pede Paz', de Vera Ferro,  natural de Campinas -SP.
   É artista plástica, professora de arte e pesquisadora. É uma convidada
   especial do Artforum Brasil XXI, desde 2001/2002 - 1ª Bienal de Artes,
   Design e Arquitetura, promovida pelo Artforum Brasil XXI, em São Luis-MA.
    
   
www.veraferro.com.br

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BRINDE NO BANQUETE DAS MUSAS  -  Dezembro de 2007



Carlos Drummond de Andrade



Poesia, marulho e náusea,
poesia, canção suicida,
poesia, que recomeças
de outro mundo, noutra vida.

Deixaste-nos mais famintos,
poesia, comida estranha,
se nenhum pão te equivale:
a mosca deglute a aranha.

Poesia, sobre os princípios
e os vagos dons do universo:
em teu regaço incestuoso
o belo câncer do verso.

Azul, em chama, o telúrio
reintegra a essência do poeta
e o que é perdido se salba...
Poesia, morte secreta.



Poema do livo: "José e outros poemas", José Olympio/INL, 1986, RJ


Homenagem a Cora Coralina, por Edna Mars - Área Médica
 




                    Uma flor de maracujá se transforma em poética da vida...

                                       Momento Cora Coralina*


Amigos! venho hoje prestar homenagem a um Anjo "Cora Coralina", ela
que com sua poesia e alma soube Emanar de si o Amor pela Terra Mãe!


O CÂNTICO DA TERRA



Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.


Homenagem de Edna Mars Santana -  Área Médica


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Pensamento de Cora Coralina          5/02/2008

Não sei se a vida é curta ou longa demais para nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser:  colo que
acolhe.... braço que envolve.... palavra que conforta.... silêncio que respeita.... alegria
que contagia.... lágrima que corre.... olhar que acaricia.... desejo que sacia.... amor que
promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida, é o que faz com
que ela não seja nem curta nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura, enquanto durar!

                                                                   (CORA CORALINA)

Nossa Homenagem a Cora Coralina!

Grupos: Artforum Brasil XXI
 - Universidade Aberta do Futuro "Telhados o Mundo" - 12 anos

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Esta página será reaberta no mês de março de 2008, para receber os textos de poetas
e escritoras convidadas para participarem dessa academia de alto valor eco-cultural.

Ana Felix  Garjan
Fórum Interanacional de Mulheres do Futuro  pela Paz do Planeta
http://forumdemulheresdofuturo.zip.net

 
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