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fauna
22/08/2007
Pesquisadores reintroduzem peixe-boi em seu habitat no AM

Pesquisadores de Manaus (AM) estão organizando a primeira reintrodução de peixe-boi
em água doce. A espécie, considerada ameaçada de extinção pelo Ibama, é alvo de
caça predatória nos rios da Amazônia.

Apesar de ser ilegal, a caça do peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) ainda é
bastante comum entre populações ribeirinhas, que costumam capturar os filhotes para
atrair as mães para o abate. Depois simplesmente descartam as crias, que podem
acabar morrendo sem amamentação -elas podem mamar até os 2 anos.

As que dão sorte vão parar no Bosque da Ciência do Inpa - Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia, onde são tratadas até atingirem a idade adulta. Agora, pela
primeira vez, alguns desses animais serão devolvidos ao seu habitat.

Após passarem pelo menos dois anos estudando o modo de vida desses animais, os
pesquisadores do Inpa e da ONG IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas já estão
prontos para levar os dois primeiros. Os pioneiros serão dois machos subadultos que
cresceram no Bosque da Ciência e serão transferidos na estação da cheia,
provavelmente em fevereiro próximo, para o rio Cuieiras.

A equipe ainda está escolhendo entre quatro animais quais participarão do projeto-
piloto. A idéia é enviar os mais saudáveis e mais próximos geneticamente das famílias
de peixe-boi que vivem no local.

"São preferíveis também os animais que, quando chegaram ao Inpa, já estavam
começando a se alimentar de plantas na natureza. Com isso esperamos que eles
tenham facilidade para procurar comida no rio", conta o oceanógrafo Leandro Lazzari
Ciotti, do IPÊ.

A decisão de enviar machos foi motivada por questões reprodutivas. Enquanto uma
fêmea só fica prenhe a cada dois anos, e de só um filhote por vez, um macho pode
copular com várias fêmeas, fato que deve ajudar a aumentar a população de peixes-bois
na natureza.

Os cientistas não sabem estimar a quantidade de animais que vivem nos rios
amazônicos porque eles são solitários, tímidos e difíceis de ver.

Com a reintrodução, os pesquisadores esperam responder justamente a algumas das
dúvidas que existem por causa do pouco contato com a espécie em seu habitat.

Os animais reinseridos levarão colares com transmissores de rádio. "Isso vai nos
permitir estudar os deslocamentos nas épocas de cheia e seca, as migrações e os
locais onde eles buscam preferencialmente alimentos", explica Ciotti.

O resultado das pesquisas vai subsidiar a elaboração de um plano de manejo para a
conservação da espécie na região.

Predação - Os animais que chegam ao Inpa são sobreviventes de sorte. A caça,
contam pesquisadores envolvidos no projeto, envolve técnicas de partir o coração de
muito marmanjo.

O peixe-boi consegue ficar até 20 minutos embaixo d'água sem respirar e dificilmente é
visto nessas ocasiões.

O momento de vulnerabilidade é quando o animal põe o focinho para fora d'água para
respirar. Os caçadores aproveitam o momento para enfiar duas rolhas nas narinas dos
peixes-bois para matá-los sufocados. "O pior é que justificavam que a carne assim fica
mais macia", lamenta Ciotti.

No Inpa vive também um animal com profundas cicatrizes na parte dorsal. Ainda filhote,
ele foi salvo quando estava, literalmente, torrando ao sol. (Folha Online)

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velho chico
22/08/2007
Grupo contrário à transposição do São Francisco quer debater gestão da água
no Brasil


A Caravana em Defesa do Rio São Francisco e do Semi-Árido chegou na terça-feira (21)
ao Rio de Janeiro, segunda das 11 capitais que serão visitadas até 1º de setembro. O
grupo, formado por especialistas, membros da sociedade civil e representantes do
Ministério Público, se opõe ao projeto do governo federal de transposição do Rio São
Francisco e pretende mobilizar a sociedade e debater a política de gestão de água no
Brasil.

Nesta quarta-feira (22), a caravana chega a Brasília, onde deverá ser recebida pelo vice-
presidente José Alencar. O projeto prevê a criação de dois canais que levariam parte da
água do São Francisco para as regiões que mais sofrem com a seca o Nordeste. A
conclusão da primeira parte da obra, que deve atender cerca de 12 milhões de pessoas
em seis estados, está prevista para 2010.

Segundo integrantes do grupo, o projeto trará impactos ambientais, econômicos,
políticos e sociais para a região, já que existem denúncias de a água retirada do São
Francisco não iria atender as famílias mais necessitadas e, sim, ser utilizada na
irrigação da agricultura de grande porte.

De acordo com a presidente da Frente Cearense em Defesa da Água, Soraia Vanini, a
população da região, como indígenas e pescadores, não foi ouvida na elaboração do
projeto.

"Não é um problema de falta d'água, e o projeto vem sendo apresentado como a
redenção do povo do semi-árido. A área mais seca do estado do Ceará, que é o sertão
central, não vai receber uma gota de água. A água vai entrar pelo Vale do Jaguaribe,
onde já existe uma infra-estrutura hídrica.Essa é uma grande questão nacional,  é um
debate de como é feita a gestão de água no Brasil", afirmou Soraia.

Uma das propostas alternativas apresentadas pela Caravana em Defesa do Rio São
Francisco e do Semi-Árido é o desenvolvimento sustentável e o armazenamento de
água através de cisternas rurais.

Segundo o promotor de Justiça de Sergipe Eduardo Matos, o projeto de transposição já
é alvo de mais de 20 ações civis e criminais no Ministério Público e de representações
no TCU - Tribunal de Contas da União, que apontam a existência de cerca de R$ 400
milhões em superfaturamento.

"O Ministério Público está participando com todos os seus promotores, para mostrar ao
Brasil que esse não é um problema só do Nordeste, pois estamos na iminência de um
grave conflito federativo. As comunidades de Alagoas e Sergipe não têm água, mesmo
vivendo à margem do rio, e não serão essas megalomanias que vão construir
desenvolvimento, sustentabilidade e igualdade. O semi-árido tem solução, falta debate",
disse Mota. (Agência Brasil)

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reciclagem
16/08/2007
EXCLUSIVO: Brasil é novamente campeão mundial em reciclagem de latas de
alumínio


Mônica Pinto / AmbienteBrasil

O Brasil despontou em 2006 - pelo sexto ano consecutivo - como o país que mais
recicla latas de alumínio para bebidas em todo o mundo. O anúncio foi feito em São
Paulo, na terça-feira passada pela manhã, em entrevista coletiva com os representantes
das duas entidades responsáveis por este levantamento: a Associação Brasileira do
Alumínio - Abal - e a Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alta
Reciclabilidade - Abralatas.

Do total de latas de alumínio para bebidas comercializadas no mercado interno, em
2006, o Brasil reciclou 94,4%, o equivalente a 139,1 mil toneladas desta sucata,
correspondendo a 10,3 bilhões de unidades -  28,2 milhões por dia  ou 1,1 milhão por
hora.

Conforme o material de divulgação do levantamento, mesmo ligeiramente inferior ao
índice registrado em 2005 - de 96,2% -, o volume coletado em 2006 foi 9% maior que o
do ano anterior, acompanhando as vendas de latas, que cresceram 11,2% no mesmo
período. Essa maior disponibilidade permitiu que outros segmentos de mercado
passassem a consumir sucata de lata, o que levou ao aumento do universo de consulta
para cálculo do índice.

O Brasil manteve-se à frente inclusive do Japão - com percentual de 90,9% -,  onde a
reciclagem de latas de alumínio é obrigatória - e de países como Dinamarca, Finlândia,
Noruega e Suíça, nos quais a legislação sobre o tema é bastante rígida e que no
período apresentaram um índice médio de 88%.

O coordenador do Comitê de Reciclagem da Abal, José Roberto Giosa, atribui a
performance brasileira a um conjunto de fatores. "Temos o único sistema permanente e
integrado de reciclagem, que vai desde a coleta à transformação da lata usada em uma
embalagem nova, com 100% de aproveitamento", disse a AmbienteBrasil.

Segundo ele, contribuem também para o quadro positivo o fato deste processo ser
pautado pela economia de mercado e as mais de cem palestras ministradas
anualmente pela Abal e pela Abralatas, que funcionam como um estímulo ininterrupto.

Este mercado está mais do que consolidado: em 2006, movimentou cerca de R$ 1,7
bilhão e gerou renda e emprego para quase 170 mil pessoas. No mesmo ano, somente
a compra de latas usadas injetou cerca de R$ 540 milhões na economia nacional.

Que o digam as cooperativas e os "carrinheiros" que atuam isoladamente. "A lata de
alumínio tem o maior valor de sucata do mercado", diz Giosa. "O quilo dela vale 13
vezes mais que o quilo da lata de aço; cinco vezes o quilo de PET e 25 vezes o quilo de
embalagens longa-vida", informa.

E para facilitar a vida de quem coleta e vende, existem pelo país mais de 7 mil pontos
de compra das latinhas espalhados pelo território nacional.

O avanço - ainda que tímido - da coleta seletiva nos municípios brasileiros também
auxiliou a manutenção da liderança brasileira neste quesito. Há dois anos, eram 230;
hoje, são 327.

Apenas 6% das cidades fazem coleta seletiva, o que ilustra a perspectiva de
crescimento no setor, já devidamente planejada. "A Indústria tem capacidade instalada
para reciclar 100% das latas, não precisa de investimentos adicionais", diz José
Roberto Giosa.

"A classe média se levantou do sofá, resolveu se envolver, separando muito mais
material reciclável do que separava antes", avalia. "E está cobrando dos governos a
implantação da coleta seletiva".

O Brasil tem mesmo bons motivos para se orgulhar: a média de reciclagem na Europa é
de apenas 54% e nos Estados Unidos, o precursor desta prática, de cerca de 52%,
patamar em que o país permanece estacionado há oito anos.

Vantagens ambientais

Conforme o material divulgado pela Abal e pela Abralatas, o meio ambiente é um dos
principais beneficiários deste movimento bem sucedido. A reciclagem de latinhas libera
somente 5% das emissões de gás de efeito estufa quando comparada à produção de
alumínio primário.

"Ao substituir um volume equivalente de alumínio primário, a reciclagem de 139,1 mil
toneladas de latinhas proporcionou uma economia de 1.976 GWh/ano de energia
elétrica ao país, o suficiente para abastecer, por um ano inteiro, uma cidade com mais
de um milhão de habitantes, como Campinas (SP)", contabilizam as entidades. "Além
disso, poupou 700 mil toneladas de bauxita (minério do qual se obtém o alumínio), que
seriam extraídas das reservas naturais  brasileiras".

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